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Por que a Triluna deixa de trabalhar com luas temáticas

O Conclave Triluna decidiu retirar as luas temáticas de sua nova trilha de formação. Nomes como Lua das Flores, Lua dos Vermes e Lua da Tempestade aparecem em nosso acervo e fazem parte do caminho que percorremos. Ao revisar o que queremos ensinar, escolhemos deixar de utilizá-los como orientação para as celebrações lunares.

Essa decisão nasce do cuidado com as referências culturais que incorporamos à nossa prática e com a forma como as transmitimos.

Nomes que têm contexto

É preciso começar por uma distinção: as listas populares de nomes de luas não representam uma única tradição indígena norte-americana. O próprio The Old Farmer’s Almanac informa que os nomes que publica vêm de fontes indígenas, coloniais e de outras tradições norte-americanas. Também identifica influências europeias. Portanto, atribuir todos esses nomes indistintamente aos povos indígenas seria impreciso. Fonte: The Old Farmer’s Almanac.

Há, porém, tradições indígenas específicas de nomeação dos ciclos lunares. O projeto de língua Ojibwe.net apresenta diferentes nomes utilizados por comunidades Anishinaabe e explica sua relação com o ambiente e as atividades de cada comunidade. Sua própria tabela mostra variações entre regiões e dialetos. Essa diversidade merece ser conhecida em seu contexto, com atenção a quem transmite esse conhecimento. Fonte: Ojibwe.net — Moons & Days.

Para nós, isso exige cuidado ao transformar um nome associado a determinado lugar, povo ou atividade em um tema espiritual obrigatório para qualquer pessoa. Uma denominação sazonal, por si só, não demonstra a existência de uma prescrição ritual universal.

A escolha que fazemos

A Triluna prefere retirar esse sistema temático de sua formação. Não queremos apresentar referências culturais distintas como um conjunto homogêneo de ensinamentos que nos pertence transmitir.

Também queremos abrir espaço para uma observação mais atenta do lugar onde cada praticante vive. Na proposta que adotamos, o registro da natureza pode partir do que a pessoa efetivamente percebe: mudanças na vegetação, períodos de chuva, presença de animais e transformações da paisagem. Essas observações pessoais não precisam receber nomes emprestados nem se transformar em um novo calendário obrigatório.

Essa é uma decisão sobre nossa prática e nossa responsabilidade ao ensinar. Não pretendemos falar em nome de comunidades indígenas ou estabelecer, por elas, uma regra sobre o uso de seus conhecimentos.

Como ficam nossas celebrações

As fases lunares e os esbás continuam presentes na Triluna. Permanecem o estudo, as orações, a preparação ritual e o registro das experiências no Livro das Sombras.

Na nova trilha, as celebrações serão identificadas pela fase lunar e pela data. O compromisso de treze luas presente no roteiro de dedicação permanece como parte do percurso, sem receber uma sequência de temas mensais.

Os materiais antigos serão reconhecidos como registros de uma etapa anterior. Sua existência nos permite explicar a mudança com transparência. Para a nova formação, aulas e formulários serão preparados de acordo com essa orientação.

Seguimos celebrando a Lua com atenção à nossa prática, ao território em que vivemos e à origem dos conhecimentos que escolhemos transmitir.

Sobre a nova trilha: o percurso é de auto-dedicação autônoma, sem vínculo mágico, iniciático ou de pertencimento com o Conclave Triluna. A atuação da responsável limita-se às devolutivas sobre as atividades enviadas.

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